terça-feira, 7 de março de 2017

Feliz Todos os Dias das Mulheres



A MULHER NA POLÍTICA
A participação feminina na política tem apresentado um pequeno avanço nos últimos anos. De acordo com pesquisa realizada e divulgada pela Secretaria de Políticas para Mulheres, na eleição de 2012 as Câmaras municipais contavam com o total de 7.782 vereadoras, eleitas em 2012. Nas eleições de 2008, 6.450 mulheres se elegeram para ocupar cargos correspondentes.
Nas eleições municipais de 2016, o percentual geral de mulheres que disputam os cargos eletivos ultrapassou 30%.

Nas prefeituras do País, a participação é simbolizada por 672 mulheres, também eleitas em 2012. Essa representação é 33% maior quando comparada com o registro de 2008, que contabilizou 507 prefeitas. 
Apesar do número apresentar uma evolução positiva, para o cenário que é composto em sua maioria por homens, a participação das mulheres em cargos eletivos ainda é considerada insuficiente

Ainda segundo o levantamento as 7.782 vereadoras brasileiras, contabilizadas recentemente, representam 13,5% do total dos cargos correspondentes nas câmaras municipais. A parcela masculina é de 49.825 integrantes, 86,5% do núcleo analisado. 

De acordo com a pesquisadora de gênero e coordenadora do instituto de pesquisa aplicada da mulher, Tânia Fontenele, os dados apontam de maneira clara que as mulheres estão sub-representadas em todos os níveis da política no País. 
Entre as eleições de 2008 e 2012, o número de candidaturas femininas para as 5.568 câmaras municipais saltou de 72.476 para 133.864, crescimento de 84,5%. No entanto, esse aumento não fez com que mais mulheres se tornassem vereadoras, aponta o estudo.
No Congresso Nacional, a participação das mulheres também está abaixo do esperado. No Senado, a representação feminina atualmente é de 12 senadoras entre os 81 eleitos para a Casa Legislativa. Já na Câmara dos Deputados, elas ocupam 50 cadeiras no universo de 512 parlamentares.

14 Estados e o Distrito Federal não possuem mulheres em suas bancadas. Para uma população cujo eleitorado é de 52%, esse número chega a ser irrelevante. 

A falta de representação feminina no Congresso se reflete diretamente na ausência de políticas públicas para as mulheres, criando barreiras para a descriminalização do aborto, o aumento da licença paternidade e o fomento à construção de creches.

Segundo o último boletim da União Interparlamentar (UIP), divulgado em janeiro, o Brasil está apenas na 116ª posição em uma lista de 190 países. Na Câmara, as 51 mulheres ocupam o equivalente a 9,9% das cadeiras. No Senado, a proporção é um pouco maior. Há 12 senadoras em exercício, 13% dos 81 parlamentares.

Os índices brasileiros de engajamento de mulheres na política estão abaixo da média mundial, de 22,1% e também do percentual do Oriente Médio, 16%. Nações como Jordânia, Síria, Líbia, Iraque, Emirados Árabes, Afeganistão e Arábia Saudita, conhecidas por negar à mulher direitos básicos há décadas conquistados pelas brasileiras nos espaços públicos, superam o percentual do Brasil de participação feminina.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
A violência contra mulheres e meninas é uma grave violação dos direitos humanos. Seu impacto varia entre consequências físicas, sexuais e mentais para mulheres e meninas, incluindo a morte. Ela afeta negativamente o bem-estar geral das mulheres e as impede de participar plenamente na sociedade. A violência não tem consequências negativas para as mulheres, mas também para suas famílias, para a comunidade e para o país em geral. A violência tem ainda enormes custos, desde gastos com saúde e despesas legais a perdas de produtividade, impactando os orçamentos nacionais e o desenvolvimento global.
DADOS MUNDIAIS
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), estima-se que 35% das mulheres em todo o mundo já tenham sofrido qualquer violência físico e/ou sexual praticada por parceiro íntimo ou violência sexual por um não-parceiro em algum momento de suas vidas. Ao mesmo tempo, alguns estudos nacionais mostram que até 70% das mulheres já foram vítimas de violência física e/ou sexual por parte de um parceiro íntimo.
A ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que de todas as mulheres que foram vítimas de homicídio no mundo em 2012, quase metade foram mortas pelos parceiros ou membros da família.
Estudo realizado em Nova Deli em 2012 mostrou que 92% das mulheres indianas relataram haver sofrido algum tipo de violência sexual em espaços públicos ao longo da sua vida e 88% declararam ter sido alvo de algum tipo de assédio sexual verbal (incluindo comentários indesejados de natureza sexual, assobios ou gestos obscenos).
DADOS NACIONAIS
Homicídio de mulheres negras aumenta 54% em 10 anos – O Mapa também mostra que a taxa de assassinatos de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. Chama atenção que no mesmo período o número de homicídios de mulheres brancas tenha diminuído 9,8%, caindo de 1.747, em 2003, para 1.576, em 2013. 

Violência sexual no Brasil: usando dados do Ministério da Saúde, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) analisou os registros de violência sexual e concluiu que 89% das vítimas são do sexo feminino e em geral têm baixa escolaridade. Do total, 70% são crianças e adolescentes. Em metade das ocorrências envolvendo crianças, há um histórico de estupros anteriores. 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima.
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 realizou 749.024 atendimentos em 2015 – uma média de 62.418 por mês e 2.052 por dia -, número 54,40% maior do que o registrado em 2014 (485.105).
Do total de atendimentos em 2015, 41,09% corresponderam à prestação de informações; 9,56%, a encaminhamentos para serviços especializados de atendimento à mulher; 38,54%, a encaminhamentos para outros serviços de teleatendimento (190/Polícia Militar, 197/Polícia Civil, Disque 100/SDH).
Em comparação a 2014, houve aumento de:
44,74% no número de relatos de violência
325% de cárcere privado (média de 11,8/dia)
129% de violência sexual (média de 9,53/dia)
151% de tráfico de pessoas (média de 29/mês)

CARNAVAL 2017
Carnaval é tempo de festa e folia. Em meio às comemorações e à alegria, muitas vezes a violência contra a mulher fica oculta ou dissimulada sob a falsa máxima de que no Carnaval “vale tudo”.
Sabemos que no período do Carnaval muitas mulheres são alvo de violência sexual, que vão desde o assédio até ao estupro. É preciso trabalhar ações efetivas para coibir esse tipo de crime, não só no Carnaval, mas em todas ocasiões
 Nos quatro dias de carnaval, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 realizou 2.132 atendimentos, em 2017. Em relação ao ano anterior, foi registrado 2.167 operações, o que representou uma leve queda de 1,62%.
Em 2017
1.136 VIOLÊNCIA FÍSICA
671 VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
109 VIOLÊNCIA SEXUAL
95 VIOLÊNCIA MORAL
68 CÁRCERE PRIVADO
49 VIOLÊNCIA PATRIMONIAL
04 TRÁFICO DE PESSOAS
Os atendimentos relativos a relatos de violência sexual tiveram um aumento de 87,93%, quando comparamos com o carnaval de 2016. Enquanto em 2016 a central realizou 58 atendimentos, em 2017 foram 109.

Fontes:
ONU
Central de Atendimento a Mulher
Secretaria de Políticas para Mulheres

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